CINE JOE é um espaço dedicado à literatura e as imagens Da Luz. Espaço portador de cardápios cinematográficos em conectividade com literatos que promovem a dança das palavras. A copulação mágica entre essas duas artes, nos proporciona intelecção, gozo e fruição estética.
Joevan Caitano é mestre em musicologia pela UFRJ e foi pesquisador de cinema no CCBB Rio com o apoio do CINEAD (Prof. Dr. Adriana Fresquet) e da pós graduação na ECO-UFRJ (prof.Dr Consuelo Lins).
Mostra inédita no Brasil que reúne sete longas-metragens antigos e contemporâneos do Azerbaijão. As obras selecionadas foram premiadas em festivais internacionais e enfatizam a diversidade e percepção criativa daquele país. Além da programação de filmes, a mostra promoverá palestra do embaixador do Azerbaijão no Brasil, seguida de debate sobre o cinema azerbaijanês.
Curadoria: Embaixada do Azerbaijão.
Programação
>> 14 de agosto 16h30 – Buta 18h30 – Não essa, então aquela 20h30 – Intenção
>> 15 de agosto 17h30 – Refém 19h30 – Debate com o Embaixador
>> 16 de agosto 16h30 – Criatura Sagrada 18h30 – Refém 20h30 – Buta
>> 17 de agosto 16h30 – Não essa, então aquela 18h30 – Criatura Sagrada 20h30 – 40ª Porta
>> 18 de agosto 16h30 – A Delegacia 19h00 – Intenção
>> 19 de agosto 17h30 – 40ª Porta 19h30 – A Delegacia
Nas margens do trabalho intelectual, o pesquisador
volta e meia topa com detalhes, sinais ou achados que provêm mais do
"acaso que da curiosidade deliberada" (como se lê na introdução de
Nenhuma ilha é uma ilha), muitas vezes relegados ao segundo plano e até
desprezados em favor dos temas consagrados. Nas mãos de Carlo Ginzburg esses
elementos "menores" são o motor de uma fina reflexão sobre a formação
da literatura e da identidade nacional na Inglaterra.Nesses
belos ensaios, Ginzburg está preocupado em entender o peculiar regime de trocas
literárias e culturais entre as ilhas britânicas e o continente europeu. Para
isso, cruza o canal da Mancha para investigar a influência de Montaigne nas
polêmicas poéticas elisabetanas; esmiúça os possíveis vínculos entre o Tristram
Shandy de Sterne e as idéias de Pierre Bayle; navega entre os arquipélagos do
Pacífico na companhia do escritor Robert Louis Stevenson e do etnógrafo
Bronislaw Malinowski; zarpa da pátria de Thomas More rumo à ilha imaginária de
Utopia - sempre dando prova de absoluto domínio da arte do ensaio e de um raro
entusiasmo pelo trabalho intelectual.
No fim da década de 60, o líder chinês Mao
Tse-Tung lança uma campanha que mudaria radicalmente a vida do país: a
Revolução Cultural que, entre outras medidas drásticas, expurgou das
bibliotecas obras consideradas como símbolo da decadência ocidental. Mas, mesmo
sob a opressão do Exército Vermelho, uma outra revolução explode na vida de três adolescentes chineses
quando, ao abrirem uma velha e empoeirada mala, eles têm as suas vidas
invadidas por Balzac, Dumas, Flaubert, Baudelaire, Rousseau, Dostoievski,
Dickens...
Balzac e a Costureirinha Chinesa é uma crônica da
vida na China durante a revolução de 68. Um romance sobre a felicidade da
descoberta da literatura, a liberdade adquirida através dos livros e a fome
insaciável de ler numa época em que as universidades foram fechadas e os jovens
intelectuais mandados ao campo para serem "reeducados por camponeses
pobres". Entre os que tiveram de abandonar as cidades está o narrador de
BALZAC E A COSTUREIRINHA CHINESA e seu melhor amigo, Luo. O destino deles é uma
aldeia escondida no topo de uma montanha. A vida não é fácil para a dupla, mas
com muita coragem, senso de humor, uma forte imaginação e a companhia da
Costureirinha - a menina mais bela da região - o tempo vai passando. Até que
descobrem a mala repleta de livros banidos pela Revolução Cultural. As obras,
sobretudo Ursule Mirouët, de Balzac, desnudam aos adolescentes uma realidade que
nunca haviam imaginado - é por intermédio do mundo novo além das fronteiras
chinesas e dos grandes mestrres da literatura que o narrador, Luo e a
Costureirinha compreendem que suas vidas pertencem a algo muito maior.
Havanna – Die neue Kunst, Ruinen zu bauen(Originaltitel:Habana – Arte nuevo de hacer
ruinas) ist ein deutscherDokumentarfilmvonRegisseurFlorian Borchmeyer und Produzent
Matthias Hentschler aus dem Jahr 2006.
Havanna, Hauptstadt der revolutionären RepublikKuba. Die Schönheit der Stadt ist geprägt von
der Poetik der Ruine. Wenig poetisch ist die Ruine Havanna für diejenigen, die
sie bewohnen. Hauseinstürze mit Toten stehen auf der Tagesordnung. Für die
Bewohner ist der Verfall der Stadt und ihrer Wohnhäuser eine ständige Quelle
des Schmerzes und der Schuldgefühle.
Der Film porträtiert fünf Personen aus Havanna, die in Gebäuden in
verschiedenen Stadien des Einsturzes wohnen. Sie alle versuchen, aus einer
Existenz zu fliehen, die durch das Wohnen in einer Ruine selbst zur Ruine zu
werden droht. Klempner Totico flüchtet sich aus dem lärmenden Inferno seiner
Mietskaserne im Zentrum Havannas zu den Tauben auf der Dachterrasse. Der
Obdachlose Reinaldo hat in den Trümmern eines Theaters Unterschlupf gefunden,
in dem einstmals Caruso vor der High Society sang. Die frühere Millionärsgattin
Misleidys läßt den goldenen Käfig ihrer Ehe hinter sich, um im Schutthaufen
eines ehemaligen Luxushotels vergangenen Zeiten nachzuträumen. Der enteignete
Großgrundbesitzer Nicanor kämpft gegen den Verfall seines Vaterhauses, um
zumindest im Kleinen so zu leben, als habe die sozialistische Revolution nicht
stattgefunden. SchriftstellerPontebaut sich eine Philosophie der Ruine und macht sich so den allmählichen
Einsturz der Stadt und des politischen Systems erklärbar und ertragbar.
Havanna – Die neue Kunst, Ruinen zu bauenerzählt die Geschichten von Menschen, die jeden Tag darauf warten, daß
ihnen das Dach über dem Kopf zusammenstürzt und dennoch nicht ausziehen wollen.
Andernorts wären ihre Wohnstätten längst renoviert, in Museen umgewandelt oder
abgerissen worden. In Havanna dagegen sind die Ruinen belebt – dabei aber
auch, wie die Bewohner resigniert feststellen müssen, die Leben ruiniert.
„Borchmeyers Film zeigt Havanna als Stadt in
Ruinen, zerbröckelnde Bauten der überwundenen Bürgerlichkeit, in der das Volk
der sozialistischen Ära mehr schlecht als recht sich einzurichten und zu
überleben versuchen. immer in Gefahr, bei einem Einsturz verletzt, von Trümmern
begraben zu werden. Das Ganze wird in einem Feld zwischen ernster Sozialkritik
und kulturästhetischer Ironie abgehandelt, in Bildern, die den Zauber der Stadt
einfangen.“
– Fritz
Göttler: Süddeutsche Zeitung
„Resignativ und ziemlich romantisch tönen die
Ruinenbewohner, die Florian Borchmeyer in seinem Dokumentarfilm […] versammelt
und die nun, stets druckreif und meist im Off sowie zu Verfallsbildern von
geradezu schmerzhafter Poesie, ihre weltentrückten Philosopheme formulieren …
immer wieder zärtlich und langsam gleitet der Blick […] an den Fassaden herab,
schweift über die Stadt, berauscht sich an der morbiden Poesie
spätklassizistischer Fensterrahmenruinen vor traumblauen Tropenhimmel.“
– Jan
Schulz-Ojala: Tagesspiegel
„Die Filmemacher erforschen die verborgenen Winkel
der cubanischen Hauptstadt. Eine Metapher der politischen, sozialen und
wirtschaftlichen Situation des Landes.“
– El País
„Angesichts dieser Konstellation, die uns eine
Menge Kuba-Klischees eingetragen hat, wollten Florian Borchmeyer […] und
Matthias Hentschler […] ein anderes Havanna zeigen. Ihr Dokumentarfilm […], den
das Internationale Filmfestival von Havanna wegen angeblich mangelnder Qualität
wieder auslud und der kurz darauf den Bayerischen Filmpreis erhielt, beobachtet
eine Handvoll Menschen beim Wohnen. Und das reicht. Denn die
einsturzgefährdeten Altstadthäuser, die abbruchreifen Wohnsilos, die moderigen
Theater und Paläste beherbergen Überlebenskünstler, die in einer Geheimwelt zu
existieren scheinen und doch das alltägliche Havanna sind.“
– Paul
Ingendaay: FAZ, 30. März 2007
„Die vermeintliche Zensur ist ein lächerliches
Hirngespinst. Dieser Film erfüllt nicht einmal die mindesten Qualitätsmaßstäbe,
um bei einem Festival gezeigt zu werden.“
Viveram lado a lado desde o primeiro instante, como gêmeos no útero materno. Não precisaram fazer pactos de amizade como costumam fazer os garotos dessa idade que se lançam com paixão e ostentação a rituais ridículos e solenes, dessa forma inconsciente e grotesca com que o desejo se manifesta entre os homens, quando decidem pela primeira vez arrancar do resto do mundo o corpo e a alma de outra pessoa para possuí-la com exclusividade. O sentido do amor e da amizade estava todo ali. A amizade deles era séria e silenciosa como todos os grandes sentimentos destinados a durar uma vida inteira. E como todos os grandes sentimentos, também continha certa dose de pudor e culpa. Ninguém pode se apropriar impunemente de uma pessoa, subtraindo-a de todas as outras”.
Sándor Márai. Livro As Brasas. Companhia Das Letras
Angela Merkel nua em pelo (e com um corpitcho de arrasar) numa praia comunista. Será?
Tudo muda com a queda do muro, em 1989, e a chegada da pornografia e da prostituição. Mas será que, pelo menos sexualmente, os comunistas eram mais felizes e não sabiam? Assista, é imperdível. Infelizmente não está disponível na rede com legendas em português, só em inglês.
O documentário Liebte der Osten Anders? (“Comunistas transam melhor?”, na tradução do título em inglês), dirigido em 2006 por Andre Meier, parte da premissa, comprovada estatisticamente, de que no lado comunista do muro de Berlim as pessoas faziam mais e melhor sexo que do lado capitalista, e tenta explicar por quê. É surpreendente descobrir que, apesar da censura e da proibição da pornografia, os alemães orientais (e sobretudo as alemãs) tinham mais liberdade sexual do que os ocidentais. Mais orgasmos, inclusive.
A principal razão, defende Meier, é que, até a descoberta da pílula, as comunistas eram mais independentes do que as comportadas alemãs do lado capitalista. Durante a Segunda Guerra, com os homens no front, as mulheres alemãs foram obrigadas a ir à luta para sustentar a família e aprender tarefas consideradas “masculinas”, como construir casas. Depois que eles voltaram, porém, enquanto na República Federal da Alemanha (capitalista) as mulheres retornaram às prendas domésticas, na República Democrática da Alemanha (comunista) elas continuaram trabalhando fora. No final dos anos 1960, uma em cada três mulheres trabalhava fora na Alemanha Ocidental; do lado Oriental eram 70%. Historiadores e sexólogos defendem no documentário que este papel protagonista da mulher influía positivamente em sua vida sexual.
“Em nenhuma área a emancipação feminina avançou tanto quanto na sexualidade. As mulheres davam as regras na cama. Isso era muito típico da Alemanha Oriental”, diz um especialista ouvido no filme. “Mais tarde as alemãs orientais foram reduzidas a caricaturas, mas eram elas que usavam as calças”, afirma outro. Ele fala isso e eu penso imediatamente em Angela Merkel, a toda poderosa chanceler que cresceu do lado comunista. Merkel foi beneficiada por uma emancipação que começara já no pós-guerra. Ou seja, quando as ocidentais passaram a lutar para conquistar espaço no mercado de trabalho, a maioria das orientais já possuía uma carreira.
Outros fatores para a liberação, por incrível que pareça, partiram do Estado comunista. Se do lado capitalista não houve educação sexual nas escolas até meados dos anos 1960, em 1962 os alemães orientais já assistiam programas sobre o assunto na televisão, voltados para crianças. Na Alemanha Oriental o casamento perdeu muito cedo a função de legitimar a sexualidade. Homens e mulheres também dividiam as tarefas do lar, bem antes de que isto se tornasse uma questão no Ocidente. O aborto foi legalizado na Alemanha comunista em 1972! Os alemães orientais sofriam a repressão do Estado, mas não a da igreja como os ocidentais, com efeito enorme sobre a sexualidade. Livres da religião, os/as comunistas se dedicavam sem culpa aos prazeres da carne. A alcova não era alvo da Stasi, a temida polícia secreta.
De acordo com o documentário, nos anos 1970 e 1980 os heterossexuais gozavam de liberdade sexual quase plena na Alemanha Oriental. O mais importante sexólogo do lado comunista, Siegfried Schnabl, deu a deixa em uma entrevista: “Lenin disse que sob o comunismo não deveríamos aspirar ao ascetismo e sim aos prazeres da vida. Isso inclui uma vida amorosa satisfatória”.
Outro aspecto interessante é que, do lado comunista, a prática do nudismo era amplamente aceita e começava no seio familiar (leia aqui uma reportagem sobre o tema publicada pelo jornal britânico The Telegraph). Isso explicaria a foto que circulou na rede da senhora Merkel nua numa praia da Alemanha Oriental durante a juventude –há dúvidas se é ou não a chanceler, mas que parece, parece.
Tudo muda com a queda do muro, em 1989, e a chegada da pornografia e da prostituição. Mas será que, pelo menos sexualmente, os comunistas eram mais felizes e não sabiam? Assista, é imperdível. Infelizmente não está disponível na rede com legendas em português, só em inglês.
Entendo que o diretor quis focar no mundo hetero e no feminismo, mas faço um reparo à ausência no filme do tema da homossexualidade, bastante reprimida pelos regimes comunistas de maneira geral –que o digam os cubanos. Outro documentário, Unter Männern — Schwul in der DDR (Entre homens – gay na RDA), de Ringo Rösener e Markus Stein, aborda o tema e conta que houve repressão à homossexualidade também na Alemanha Oriental. Mas não foi, parece, tão grave como o que ocorreu na URSS ou em Cuba. Pelo contrário, houve certa liberdade para os gays nos primeiros anos da Alemanha comunista, que descriminalizou a homossexualidade um ano antes que a Alemanha Ocidental. O próprio sexólogo Schnabl publicou textos onde defendia a existência dos homossexuais como “normal”.
Sem contar que aqueles beijaços na boca que o presidente alemão oriental Erich Honecker gostava de sapecar nos colegas comunistas eram meio homoafetivos, né não? Dizem que a comunistada saía correndo quando o Honecker aparecia. Bem, nem todos.
A ESCRITA DO DEUS (Por Jorge Luis Borges....Literatura argentina)
[...] Considerei que nas linguagens humanas existe proposição que não implique o universo inteiro; dizer o tigre é dizer os tigres que o geraram, os cervos e as tartarugas que devorou, o pasto, o céu que deu à luz a terra. Refleti que na linguagem de um deus toda palavra enunciaria essa infinita concatenação dos fatos, e não de um modo progressivo, mas imediato. Com o tempo, a noção de uma sentença divina me parece pueril ou blasfema. Um deus, pensei, só deve dizer uma palavra e nessa palavra a plenitude. Nenhuma voz articulada por ele pode ser inferior ao universo ou menos que a soma do tempo. Sombras ou simulacros dessa voz que equivale a uma linguagem e a todas as coisas que uma linguagem pode abranger são as ambiciosas e pobres vozes humanas, tudo, mundo, universo.
BORGES, Jorge Luis. Nova Antologia Pessoal. São Paulo: Companhia Das Letras, 2013, página 255.
ANova
antologia pessoalfoi organizada pelo próprio Borges e
publicada pela primeira vez em 1968. A coletânea reúne ensaios, poemas e prosa
de ficção que o autor vinha publicando desde os anos 1930, entre os quais
alguns de seus trabalhos mais célebres, como os contos “A Intrusa” e “Tlön,
Uqbar, Orbis Tertius” e os poemas “Everness” e “Junin”. Traz também um conjunto
de textos sobre literatura que atesta o brilhantismo de Borges como leitor e
crítico literário.Em sua vasta atividade crítica, a organização de inúmeras antologias teve
papel decisivo. Por meio delas, com os achados e a seleção de sua alta
inteligência, fecundou seu ambiente literário, abrindo-o para traduções
inéditas. Suscitou o diálogo com textos raros, desconhecidos ou reinventados;
renovou o repertório dos autores considerados clássicos.Como antologista da própria obra, Borges não foi menos
rigoroso. Tinha autocrítica severa com relação aos poemas da primeira juventude
e vivia a reescrever os próprios textos. Esse trabalho pode ser visto naAntologia pessoal, originalmente de 1961, publicada pela Companhia
das Letras na coleção Biblioteca Borges em 2008, e agora naNova antologia pessoal.Mais generosa que a primeira, aNova antologiatraz
um volume maior de textos e assuntos. A perplexidade metafísica, a memória dos
mortos que se perpetua nos poemas, as imagens cifradas de uma língua pretérita,
a linguagem, a pátria, o destino paradoxal dos poetas - esses e vários outros
temas são nela recorrentes.A exemplo da anterior, esta antologia forma um
caleidoscópio, em que pedacinhos de vidro recombináveis fantasiam as múltiplas
faces da totalidade. Como afirma o professor Davi Arrigucci Jr., integrante da
comissão editorial da Biblioteca Borges: “Os textos em prosa e verso aqui
reunidos podem ser fragmentos de espelhos onde se repetem os passos do autor
cujo rosto desejamos reconhecer”.