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quinta-feira, 29 de março de 2012

Livro CAIM. Autor: José Saramago, literatura portuguesa.

[...] Quanto à mulher de Ló, essa olhou para trás desobedecendo à ordem recebida e ficou transformada numa estátua de sal. Até hoje ainda ninguém conseguiu compreender por que foi ela castigada desta maneira, quando tão natural é querermos saber o que se passa nas nossas costas. È possível que o Senhor tivesse querido punir a curiosidade como se tratasse de um pecado mortal [...]
SARAMAGO, José: CAIM. São Paulo: Companhia das Letras, 2010, página 97.



Neste novo romance, o vencedor do prêmio Nobel José Saramago reconta episódios bíblicos do Velho Testamento sob o ponto de vista de Caim, que, depois de assassinar seu irmão, trava um incomum acordo com deus e parte numa jornada que o levará do jardim do Éden aos mais recônditos confins da criação.
Se, em O Evangelho segundo Jesus Cristo, José Saramago nos deu sua visão do Novo Testamento, neste Caim ele se volta aos primeiros livros da Bíblia, do Éden ao dilúvio, imprimindo ao Antigo Testamento a música e o humor refinado que marcam sua obra. Num itinerário heterodoxo, Saramago percorre cidades decadentes e estábulos, palácios de tiranos e campos de batalha, conforme o leitor acompanha uma guerra secular, e de certo modo involuntária, entre criador e criatura. No trajeto, o leitor revisitará episódios bíblicos conhecidos, mas sob uma perspectiva inteiramente diferente.
Para atravessar esse caminho árido, um deus às turras com a própria administração colocará Caim, assassino do irmão Abel e primogênito de Adão e Eva, num altivo jegue, e caberá à dupla encontrar o rumo entre as armadilhas do tempo que insistem em atraí-los. A Caim, que leva a marca do senhor na testa e portanto está protegido das iniquidades do homem, resta aceitar o destino amargo e compactuar com o criador, a quem não reserva o melhor dos julgamentos. Tal como o diabo de O Evangelho, o deus que o leitor encontra aqui não é o habitual dos sermões: ao reinventar o Antigo Testamento, Saramago recria também seus principais protagonistas, dando a eles uma roupagem ao mesmo tempo complexa e irônica, cujo tom de farsa da narrativa só faz por acentuar.

Caim - José Saramago

terça-feira, 27 de março de 2012

Entrelinhas (video) RICARDO PIGLIA...Mestre do romance policial \ literatura argentina



O programa ENTRELINHAS entrevista o autor de Respiração Artificial -- romance que realiza uma síntese das duas principais vertentes da literatura argentina contemporânea, representadas pelo cerebral Jorge Luis Borges e pelo visceral Roberto Arlt. Piglia esteve na Fliporto, a festa literária pernambucana, que este ano aconteceu em Olinda, onde conversou com o Entrelinhas.

O Entrelinhas é um programa da Tv Cultura. Mais informações em:
http://www.tvcultura.com.br/entrelinhas







segunda-feira, 26 de março de 2012

Escrevendo com sangue e lendo com o espírito: Literatura engajada.

Dedicado ao Clube de Leitura da Livraria Travessa do Ouvidor pelo seu aniversário de 1 ano de existência. Muitas leituras e discussões profundas e calorosas foram realizadas nesse período de literatura engajada.

Parabéns ao grupo e aos participantes fiéis desde a gênese, pois eu ainda sou novo no pedaço.
É muito gratificante ler e aprender com os livros e estilos de diversos mestres que realizam a dança das palavras. Escritores e leitores mexem num dicionário para dar potência à algumas palavras em detrimento de outras e nessa jornada mágica das letras moventes, elaboramos um saber exotérico para dar conta da vida portadora de tragicidade caósmica. Escritores e leitores manipulam "procedimentos" literários que levam a linguagem a um limite, no entanto, limite nesse caso,não tem significação de fronteira, de limitação. Limite nesse contexto, significa grau de potência (Nietzsche e Espinosa) que leva a linguagem ao seu máximo de potência de intensidade. Ler e escrever com amor, significa atingir a enésima potência da linguagem para dar a linguagem um caráter trágico e racional. Isso implica em fazer a linguagem atingir o limiar da intensidade.
Nietzsche sintetiza todo o nosso tesão por alguns escritores sagrados, porém, humanos demasiado humanos:
"De tudo aquilo que se escreve, só me agrada o que alguém escreveu com seu sangue. Escreve com sangue e descobrirás que o sangue é espirito. F. Nietzsche. Assim Falava Zaratustra".
Com carinho e louvação aos colegas leitores, desbravadores e herdeiros da terra de todas as palavras lidas, proferidas e discutidas nesses 360 dias de espiritualidadeliterária.
Joevan Caitano (Joe)

terça-feira, 20 de março de 2012

HOMEM COMUM ENFIM - Uma introdução a James Joyce para o leitor comum

Sem James Joyce a literatura contemporânea não teria tido sobrevida; sem James Joyce a literatura moderna não teria tido vida. Verdade ou mentira, o irlandês James Joyce é sinônimo de revolução, tal como seu provável modelo, o poeta francês Stéphane Mallarmé. Joyce é mito, "monstro da literatura": louco, ilegível, gênio.
O romancista e ensaísta Anthony Burgess, autor de A laranja mecânica, conviveu quase meio século com a obra de James Joyce, e neste livro resgata o gênio, vislumbrando nele, enfim, a vida do homem comum. No prefácio ao livro, Burgess escreve: "A aparente dificuldade faz parte da grande anedota de Joyce; tudo o que é profundo é em geral expresso em sonoros termos de Dublin; os heróis de Joyce são homens humildes. Se alguma vez houve um grande escritor popular, Joyce foi este escritor".

Tradução
José Antonio Arantes
Páginas
304
Formato
14.00 x 21.00 cm
Acabamento
Brochura
Lançamento
28/11/1994
Selo
Companhia das Letras

quarta-feira, 14 de março de 2012

Livro - SENHOR PROUST, Autora: Celeste Albaret (foi empregada do Marcel Proust durante 8 anos)

Senhor Proust

"Querida Celeste era assim que carinhosamente Marcel Proust tratava aquela que viveu ao seu lado durante os oito anos fundamentais de sua vida. Céleste era governanta e confidente de Proust. Ela sabia todos os detalhes de sua vida. Conhecia seu passado, suas amizades e seus amores. Sabia até o que ele pensava. Passava noites inteiras ao lado de Proust, ouvindo-o ler, em voz alta, os capítulos de seus livros. Após a morte de Marcel Proust, em 1922, Céleste Albaret foi uma das pessoas mais assediadas para contar as lembranças e as histórias vividas ao lado de um dos maiores nomes da literatura mundial. Durante 50 anos ela se recusou a falar sobre Proust. Para ela seria uma traição. Mas aos 82 anos, Céleste mudou de idéia. Julgou que muitos escritores, mesmo não sabendo a verdade, estavam traindo Proust ao escreverem sobre sua vida. Nasceu assim a obra Senhor Proust, considerada em matéria publicada no jornal Folha de São Paulo, em 2005, assinada pelo jornalista Alcino Leite Neto ""o mais célebre livro escrito por um empregado."" George Belmont ouviu a história de Céleste e a organizou em temas e capítulos. Senhor Proust ganhou uma adaptação para cinema, o filme Celeste, que foi dirigido pelo alemão Percy Adlon, e que tinha Eva Mattes".

Número de páginas: 520
Editora Novo Século
Autora: Celeste Albaret
Tradutor: Cordelia Magalhães
Ano de Lançamento: 2008

quinta-feira, 1 de março de 2012

ALVO NOTURNO, autor: Ricardo Piglia, literatura argentina, Clube de Leitura da Travessa do Ouvidor

Capa do livro


Participei do último encontro do Clube de Leitura da Livraria Travessa da rua do Ouvidor -Centro do Rio, e no final do bate papo interativo\reflexivo\fraternissímo sobre o livro MADAME MOVARY de Gustav Flaubert, o moderador sugeriu a leitura desse romance abaixo para a discussão no próximo encontro no final de março.


Um dos maiores escritores contemporâneos, o argentino Ricardo Piglia volta à ficção treze anos depois de Dinheiro queimado com este romance noir ambientado no pampa argentino. O jornalista Emilio Renzi, já conhecido de outros livros de Piglia, investiga o assassinato do misterioso Tony Durán. A investigação policial é o ponto de partida para um retrato das contradições da vida rural argentina dos anos 1970.

TÍTULO: ALVO NOTURNO
IDIOMA: Português
ENCADERNAÇÃO: Brochura
FORMATO: 14 x 21
PÁGINAS: 256
ANO DE EDIÇÃO: 2011
EDIÇÃO:
AUTOR: Ricardo Piglia

TRADUTOR: Heloisa Jahn


Em "Alvo Noturno", Ricardo Piglia dá novo sentido aos clichês do romance policial



domingo, 26 de fevereiro de 2012

CLUBE DE LEITURA\Livraria da Travessa-Ouvidor, 28\02\2012 Livro Madame Bovary de Flaubert

Livro MADAME BOVARY

Clube de Leitura Penguin-Companhia/Livraria da Travessa – OuvidorTerça, 28 de fevereiro, 2012
LIVRO: Madame Bovary, de Gustave Flaubert.
HORÁRIO: 18h às 19h
LOCAL: Livraria da Travessa - Ouvidor


SINOPSE:
'Madame Bovary' trata da desesperança e do desespero de uma mulher que, sonhadora, se vê presa em um casamento insípido, com um marido de personalidade fraca, em uma cidade do interior. O romance mostra o crescente declínio da vida - interna e externa - de Emma Bovary.