Mostrando postagens com marcador expressionismo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador expressionismo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 15 de março de 2012

O pensamento proustiano sobre as artes (música, pintura e literatura) em “Em Busca do Tempo Perdido”.


O pensamento proustiano sobre as artes (música, pintura e literatura) em “Em Busca do Tempo Perdido”.

     Como Proust pensou a arte? Ele privilegia três artes em Em Busca do Tempo Perdido: a música, pintura e a literatura. Outra questão importante relacionado a obra de Proust é: qual a concepção de literatura que Proust se vale? Proust aponta para o romance de formação, romance de aprendizagem. O que é literatura? Como fazer uma literatura nova, original e que seja um novo passo? São indagações proustianas que dizem respeito ao contexto literário.

     É importante salientar que Em Busca do Tempo Perdido é uma narração da descoberta de uma vocação literária. Nele, Proust faz uma reflexão sobre artistas reais dos séculos XIX e XX. Na música ele privilegia Wagner (o grande músico para ele), Saint-Saëns, Cézar Frank e Beethoven principalmente seus últimos quartetos. No âmbito da pintura, Proust valoriza o impressionismo, cujo, ele faz relação com o expressionismo. Há uma correlação entre impressão e expressão. Expressar artisticamente é expressar sobre a impressão. Na literatura Proust valoriza Balzac e há possibilidades de assinalar em Busca do Tempo Perdido como sendo uma comédia.

     Proust criou três personagens em Em Busca do Tempo Perdido: Ele criou um grande músico que foi o Vanteuil; criou um grande pintor que foi Elstir; e criou um grande literato que foi o Bergotte. Proust criou verdadeiras obras de arte imaginárias, criou um estilo híbrido, pois como escritor aproveitou das coisas que ele viveu.

Proust e sua relação com as artes



Proust e sua relação com as artes

     A arte tem como finalidade dá prazer. Essa idéia é aristotélica e perdurou em toda a história da arte. A tragédia embora seja terrível, tem como finalidade fornecer prazer. Para Proust a arte é a única que dá prazer intenso. A idéia de prazer está sempre presente no contexto artístico gerando múltiplas definições sobre as “irmãs gêmeas” arte-prazer. A posição aristotélica sinaliza que é compreendendo que se tem prazer.

     Kant vai falar do prazer de ser fundamental ao ser original. Ser original é fundamental diz ele. Foucault ao abordar a linguagem, leva-a ao infinito, estabelecendo uma ruptura com a linguagem padrão, linguagem modelo. A palavra de Deus é a linguagem da perfeição, é o cânone que o homem teria que copiar e se aproximar. Seria uma espécie de modelo no qual não haveria originalidade. Na morte de Deus, isto é, na morte do modelo, fazia do artista o grande criador. Criar é ser original.

     Diante do original, há possibilidades de levantarmos questões como, por exemplo, se a arte produz ou não produz conhecimento. Como auxílio, sem evitando sermos burros de carga do pensamento alheio, podemos recorrer ao ponto de vista de grandes expoentes que abordaram o universo das artes.  Para Kant a arte não produz conhecimento, entretanto, outros pensadores como Schelling, Schiller e Nietzsche puseram em questão essa posição kantiana ao defenderem que o juízo estético é superior ao juízo de conhecimento.

     Antes eu não sabia só depois eu compreenderia é uma frase de Proust. Deleuze assinala que conhecer é conhecer a essência que também é uma idéia proustiana. A arte é um meio espiritual povoado de essências e através da essência, o artista vence o objetivismo e o subjetivismo.

     Proust gosta do impressionismo, porém, a palavra a palavra impressão está presente em sua obra. Como expressar as impressões? Essa é uma pergunta proustiana. Proust tenta explicar a pintura através do impressionismo.