Mostrando postagens com marcador Literatura Brasileira. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura Brasileira. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 30 de março de 2012

GRANDE SERTÃO VEREDAS, Direção: Renato Santos Pereira, Filme (1965) baseado em Guimarães Rosa.


Após escrever com alta intensidade criativa durante dois anos, Guimarães Rosa chega ao terceiro livro em 1956; Grande Sertão: Veredas traz uma narrativa épica que se desenrola por 600 páginas e mostra de maneira inovadora para sua época e com uma impressionante técnica literária, o jeito rude do homem do sertão mineiro. Mais que um simples romance, Guimarães Rosa nos brinda com um "amor proibido" de imensa profundidade psicológica entre os personagens Riobaldo e Diadorim. O livro alcança tamanho impacto que extrapola os limites da língua sendo traduzido com enorme sucesso comercial para vários países. Em 1965, os irmãos Geraldo e Renato Santos Pereira, com muito talento, realizaram esta digna primeira adaptação da obra, antecipando-se exatos 20 anos da adaptação para a TV através da minissérie homônima, um marco na história da televisão brasileira.
Da obra de Guimarães Rosa, um clássico de nossa literatura, levado às telas em uma adaptação vibrante que mostra uma parte de nossa história.





GêneroCinema Nacional
AtoresMauricio do Valle, Sonia Clara, Graça Mello, Luigi Picci, Jofre Soares, Ivan Souza, Zózimo Bulbul, David José, Gloria Goulart, Milton Gonçalves,
DireçãoGeraldo dos Santos Pereira, Renato dos Santos Pereira,
IdiomaPortuguês,
LegendasNão Fornecido pela Distribuidora,
Ano de produção1965
País de produçãoBrasil,
Duração1965
DistribuiçãoAmazonas Filmes
RegiãoMultizonal
ÁudioSom original
VídeoTela Cheia
CorPreto-e-branco

sábado, 10 de março de 2012

Oráculo de Aniversário regado com poéticas natalinas (Vinícius de Moraes)

Oráculo de aniversário

Poema de Natal

Para isso fomos feitos:
Para lembrar e ser lembrados
Para chorar e fazer chorar
Para enterrar os nossos mortos —
Por isso temos braços longos para os adeuses
Mãos para colher o que foi dado
...
Dedos para cavar a terra.
Assim será nossa vida:
Uma tarde sempre a esquecer
Uma estrela a se apagar na treva
Um caminho entre dois túmulos —
Por isso precisamos velar
Falar baixo, pisar leve, ver
A noite dormir em silêncio.
Não há muito o que dizer:
Uma canção sobre um berço
Um verso, talvez de amor
Uma prece por quem se vai —
Mas que essa hora não esqueça
E por ela os nossos corações
Se deixem, graves e simples.
Pois para isso fomos feitos:
Para a esperança no milagre
Para a participação da poesia
Para ver a face da morte —
De repente nunca mais esperaremos...
Hoje a noite é jovem; da morte, apenas
Nascemos, imensamente.

(Vinicius de Moraes)
 

UMA CRIATURA. Poema de Machado de Assis


Uma Criatura

Sei de uma criatura antiga e formidável,
Que a si mesma devora os membros e as entranhas,
Com a sofreguidão da fome insaciável.
Habita juntamente os vales e as montanhas;
E no mar, que se rasga, à maneira do abismo,
Espreguiça-se toda em convulsões estranhas.
Traz impresso na fronte o obscuro despotismo;
Cada olhar que despede, acerbo e mavioso,
Parece uma expansão de amor e egoísmo.
Friamente contempla o desespero e o gozo,
Gosta do colibri, como gosta do verme,
E cinge ao coração o belo e o monstruoso.
Para ela o chacal é, como a rola, inerme;
E caminha na terra imperturbável, como
Pelo vasto arealum vasto paquiderme.
Na árvore que rebenta o seu primeiro gomo
Vem a folha, que lento e lento se desdobra,
Depois a flor, depois o suspirado pomo.
Pois essa criatura está em toda a obra:
Cresta o seio da flor e corrompe-lhe o fruto,
E é nesse destruir que as suas forças dobra.
Ama de igual amor o poluto e o impoluto;
Começa e recomeça uma perpétua lida;
E sorrindo obedece ao divino estatuto.
Tu dirás que é a morte; eu direi que é a vida.

Machado de Assis