Mostrando postagens com marcador Carlos Drummond de Andrade. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Carlos Drummond de Andrade. Mostrar todas as postagens

sábado, 7 de abril de 2012

Estrambote Melancólico. Poema de Carlos Drummond de Andrade



Tenho saudade de mim mesmo,
saudade sob aparência de remorso,
de tanto que não fui, a sós, a esmo,
e de minha alta ausência em meu redor.
Tenho horror, tenho pena de mim mesmo
e tenho muitos outros sentimentos
violentos. Mas se esquivam no inventário,
e meu amor é triste como é vário,
e sendo vário é um só. Tenho carinho
por toda perda minha na corrente
que de mortos a vivos me carreia
e a mortos restitui o que era deles
mas em mim se guardava. A estrela-d'alva
penetra longamente seu espinho
(e cinco espinhos são) na minha mão.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

O Fazendeiro do ar, 1972. Direção: Fernando Sabino, Documentário sobre Drummond de Andrade


Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) é o protagonista do curta-metragem Fazendeiro do Ar. Lançado em 1972, o curta marca a aventura de Fernando Sabino no cinema. Cenas raras mostram o poeta mineiro à vontade, refletindo sobre aspectos de sua própria vida, crenças, vocação, talento, família, religião, política, distante da timidez que costuma acompanhar grandes poetas.

O Fazendeiro do Ar explora a rotina do poeta, o caminhar no meio da multidão, o prosaico passageiro de ônibus, que vai de sua casa até o centro da cidade onde trabalhava como servidor público. Entre fatos de sua história, e sua paixão pelas palavras, o poeta brinca de esconder entre as pilastras do Ministério da Educação – onde foi chefe de gabinete do ministro Gustavo Capanema.

E sobre trabalhar como funcionário público, o poeta que define ador como inevitável, e o sofrimento como opcional, desabafa: "Há um grande contraste entre as minhas tendências naturais e a vida que eu levei de pequeno burguês acomodado e calmo. Foi o sentimentalismo familiar, a ligação com amigos mais ponderados e a necessidade de ganhar a vida que fizeram com que eu fosse, não um anarquista militante, mas um funcionário público."




Embora o filme descreva pessoalidades de Drummond, que por si já torna a trabalho de Sabino bastante interessante, o curta, sobretudo, ganha o espectador quando explora a paixão de um dos maiores poetas brasileiro pela palavra.
“Eu confesso que desde criança tive uma espécie de fascinação inconsciente pela palavra, pela forma visual da palavra. O aspecto visual das palavras, a forma, a escrita, o papel com desenhos, com riscos, com letras me causava uma impressão muito forte. E eu acho que tudo que eu fiz, em matéria de literatura, vem desse primeiro contato com a palavra impressa”.